terça-feira, 11 de outubro de 2011

Semana da Criança contando muitas e divertidas histórias




Boa tarde gente bonita que veio aqui dar uma espiada em nosso trabalho, Muito obrigada!

Daqui a pouquinho, estarei na Escola Infantil Imaginação Kids contando histórias para os pequenos e grandes de lá. Vai se bem divertido, eu posso apostar!

Aproveito este post para fazer um convite especial para amanhã, Dia das Crianças: a partir das 15h estarei no Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1000 - do ladinho da estação de metrô Vergueiro). Vou contar histórias, declamar poesia, brincar com vocês utilizando parlendas, trava-línguas e cantigas de rodas, em Histórias para Brincar. Você não vai perder, não é?

A programação especial do dia das crianças no Centro Cultural São Paulo começa as 11h e vai o dia todo, Ôo coisa boa!

Espero vocês. Abraços, com desejos de que cada um deixe a sua criança das reminiscências, aquela escondidinha lá no porão das lembranças, vir à tona para brincar até não mais poder.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Colégio Ápice - Bichos do céu, da terra e do mar


No primeiro sábado de primavera, contei histórias de bichos do céu, da terra e do mar para os pequenos e graúdos do interessantíssimo e acolhedor Colégio Ápice. Foi uma delícia tudo!

Além de prestarem atenção nas histórias e participar, ao final os pequenos também estavam curiosos para ver de pertinho e manusear os instrumentos sonoros e os objetos e adereços utilizados nas histórias.




As histórias contadas foram: Brincadeira de Triângulos; A garça velha; Babioca, o cavalinho medroso e O macaquinho carinhoso.





Depois que contei as histórias, e fiquei com a criançada mostrando os objetos, adereços e instrumentos, eu aproveitei para passear pela exposição que estava acontecendo no colégio. Cada turma expôs os animais construídos com sucata (copos de iogurte, caixas de leite, papelão, caixa de ovo, etc). Os temas eram animais da fazenda, da água, selvagens, etc.  EU SIMPLESMENTE ADOREI!
Foi uma grata surpresa conhecer o colégio e fiquei feliz de participar, contando histórias, deste dia com todos de lá.




Espero voltar outras vezes!


                 Eugênio, o gênio, é o burro mais inteligente do mundo. Sabe quase tudo o que há nos livros.
                   Fala burrês, que é a língua dos burros. Fala bichês que é a língua dos bichos...
                Antigamente, Eugênio tinha um defeito: era muito teimoso...
                   É verdade que muitos burros são emburrados e empacadores. Mas são burros que são burros, não burros , não são burros inteligentes.
                   Desde pequeno, Eugênio era assim: empacava para comer, empacava para dormir, empacava para se vestir...
                   E a mãe comentava:
                   - Este menino é tão teimoso...
                   Eugênio só desempacava quando o pai pedia muito:
                   - Meu filhinho bonitinho, faz a vontade do papai.
                   E a mãe pedia também!
                   E   Eugênio fazia pose  e declarava:
                   - Como é para o bem de todos... e desempacava

              Um dia, na pracinha da floresta, o alto-falante falava:
_ Grande concurso de perguntas e respostas da Rádio Jovem Floresta!
Ganhe o concurso e faça uma festa! Prêmios e mais prêmios! Se você é sabido, inteligente, venha para este concurso diferente!
              Todo mundo logo quis que Eugênio se inscrevesse no concurso:
_ Se Eugênio não empacar, é ele quem vai ganhar - dizia Zebrinho, que era amigo de Eugênio desde pequenininho.
  
              Mas Eugênio já estava empacado:
_Ah, não sei se vou, não. Não estou com vontade... A mãe de Eugênio pediu. O pai de Eugênio falou. Todo mundo argumentou.
              Até que Eugênio, com muito mau gênio, concordou:
_ Está bem, eu vou, eu vou, não falem mais, por favor...

              Quando chegou o dia do concurso, que alegria! A clareida da floresta estava tão enfeitada que até parecia uma floresta encantada.
              No paulco, o animador do concurso, o papagaio Tibúrcio. E os concorrentes iam passando, e o perguntador ia perguntando, e os mais sabidos iam se classificando.

               Até que no palco ficaram o Burro, o Leão, a Coruja e o Pavão. E Tibúrcio perguntou:
_De que cor era o cavalo branco de Napoleão?
               Cada um começou a dar tratos à bloa. Cada qual começou a espremer a cachola.

               Quem quis responder primeiro foi a coruja. Vocês sabem, a coruja não enxerga de dia e, de noite, todos os bichos parecem cinzentos.
                Então ela pensou:
_Este tal de Tibúrcio pensa que me tapeou. Disse que o cavalo é branco, mas não me enganou. E, dando um passo à frente, declarou, cheia de vento:
_está claro que era cinzendo.
               A platéia não gostou. Todo mundo vaiou...
          
               Era a vez do Leão, que pensou, lá consigo:
_Deve ser algum rei, este Napo-Leão. Portanto, seu cavalo, seja ele quem for, tem que fazer a vontade do rei, em matéria de cor. E falou:
_Já sei, este cavalo não tem uma cor qualquer, o cavalo é da cor que Napoleão quiser.
E todo mundo vaiou...

             Chegando a sua vez, o Pavão se adiantou. Olhando suas penas azuis, logo falou:
_Em matéria de belo, eu sei o que é bom. O cavalo era azul, não era de outro tom.
E toda a platéia vaiou:
_Ôôôôôôô!

            E chegou, finalmente, a vez do nosso Eugênio, que, empacado, não dava nem sinal do seu gênio. Todo mundo gritava:
_Eugênio, Eugênio, mostra o seu gênio!
            Mas Eugênio, empacado, mostrava o seu mau gênio. Todo mundo sabia que Eugênio era capaz. Por isso todo mundo gritava por rapaz:
_Vamos, Eugênio, vamos! O que é que está esperando? Vá falando!

          É que Eugênio, acostumado a ser sempre mimado, olhava para todo o lado:
_Cadê mamãe e papai? Será que não vão pedir, implorar e até rogar, para eu desempacar?

          Mas o pai dizia à mãe, com voz de grande mágoa:
_Desta vez o nosso filho vai dar com os burros n'água...porque neste concurso não posso me meter. Até que vai ser bom para ele aprender.

          E quando Eugênio viu que o tempo ia acabar e que ele ia perder, somente por teimar, resolveu que não era bom negócio empacar:
_Era branco, era branco! -  gritou.

          _Viva! Graças a Deus, ele desempacou! _Viva Eugênio, o gênio, que só ele acertou...

          
           E foi assim, meus senhores e minhas senhoras, que Eugênio, o gênio, perdeu o seu mau gênio. E nunca mais empacou, nem emburrou. Ficou sendo um burro legal, genial.
           Ficou sendo Eugênio, o bom gênio...


No reino da bicharada - Projeto Encontros Culturais no Metrô




Nesta terça-feira, dia 04 de outubro, as 14h, tchan, tchan, tchan, tchan... apresentei o repertório No reino da bicharada, pela segunda vez, lá na estação Paraíso do metrô, pelo Projeto Encontros Culturais no Metrô.
Foi muito especial para mim porque fazia já seis meses que não me apresentava por lá.
Comecei a apresentação saudando a primavera e cantando para ela e para o público que começava a chegar. Na platéia estava um pessoal muito atento. Como foi acolhedor receber os olhares brilhantes de sorrisos largos. E o dia também foi bem especial porque compareceram meus queridíssimos pais e também um amigo querido que veio direto do aeroporto (voltava de uma viagem) com malas, cansaço e tudo - para me assistir.

Mais uma tarde muito gostosa e lindamente compartilhada. Gratidão!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011





Bom Dia, Todas as Cores!


Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.
- Bom dia, sol, bom dia, flores,
bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho, mudou sua cor
Para a cor-de-rosa, que ele achava
A mais bonita de todas, e saiu para
O sol, contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz
Porque tinha chegado a primavera.
E o sol, finalmente, depois de
Um inverno longo e frio, brilhava,
Alegre, no céu.
- Eu hoje estou de bem com a vida
- Ele disse. - quero ser bonzinho
Pra todo mundo...

Logo que saiu de casa,
O Camaleão encontrou
O professor pernilongo.
O professor pernilongo toca
Violino na orquestra
Do Teatro Florestal.
- Bom dia, professor!
Como vai o senhor?
- Bom dia, Camaleão!
Mas o que é isso, meu irmão?
Por que é que mudou de cor?
Essa cor não lhe cai bem...
Olhe para o azul do céu.
Por que não fica azul também?

O Camaleão,
Amável como ele era,
Resolveu ficar azul
Como o céu da primavera...

Até que numa clareira
O Camaleão encontrou
O sabiá-laranjeira:
- Meu amigo Camaleão,
Muito bom dia e você!
Mas que cor é essa agora?
O amigo está azul por quê?

E o sabiá explicou
Que a cor mais linda do mundo
Era a cor alaranjada,
Cor de laranja, dourada.

Nosso amigo, bem depressa,
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo alaranjado,
Louro, laranja, dourado.
E cantando, alegremente,
Lá se foi, ainda contente...


Na pracinha da floresta,
Saindo da capelinha,
Vinha o senhor louva-a-deus,
Mais a família inteirinha.
Ele é um senhor muito sério,
Que não gosta de gracinha.
- bom dia, Camaleão!
Que cor mais escandalosa!
Parece até fantasia
Pra baile de carnaval...

Você devia arranjar
Uma cor mais natural...
Veja o verde da folhagem...
Veja o verde da campina...
Você devia fazer
O que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo bem verdinho.
E foi pelo seu caminho...

Vocês agora já sabem como era o Camaleão.
Bastava que alguém falasse, mudava de opinião.
Ficava roxo, amarelo, ficava cor-de-pavão.
Ficava de toda cor. Não sabia dizer NÃO.

Por isso, naquele dia, cada vez que
Se encontrava com algum de seus amigos,
E que o amigo estranhava a cor com que ele estava...
Adivinha o que fazia o nosso Camaleão.
Pois ele logo mudava, mudava para outro tom...

Mudou de rosa para azul.

De azul para alaranjado.

De laranja para verde.

De verde para encarnado.

Mudou de preto para branco.

De branco virou roxinho.

De roxo para amarelo.
E até para cor de vinho...

Quando o sol começou a se pôr no horizonte,
Camaleão resolveu voltar para casa.
Estava cansado do longo passeio
E mais cansado ainda de tanto
mudar de cor.
Entrou na sua casinha.
Deitou para descansar.
E lá ficou a pensar:
- Por mais que a gente se esforce,
Não pode agradar a todos.
Alguns gostam de farofa.
Outros preferem farelo...
Uns querem comer maçã.
Outros preferem marmelo...
Tem quem goste de sapato.
Tem quem goste de chinelo...
E se não fossem os gostos,
Que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se
Bem cedinho.
- Bom dia, sol, bom dia, flores,
Bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho,
Mudou sua cor para
A cor-de-rosa, que ele
Achava a mais bonita
De todas, e saiu para
O sol, contente
Da vida.

Logo que saiu, Camaleão encontrou o sapo cururu,
Que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.
- Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?
- Muito bom dia, amigo Camaleão!
Mais que cor mais engraçada,
Antiga, tão desbotada...
Por que é que você não usa
Uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:
- Eu uso as cores que eu gosto,
E com isso faço bem.
Eu gosto dos bons conselhos,
Mas faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo,
Não pode agradar ninguém...
E assim aconteceu
O que acabei de contar.
Se gostaram, muito bem!
Se não gostaram, AZAR!


Contando Ruth Rocha na Biblioteca São Paulo



Boa tarde, gentes! Desejo de primavera bem colorida e perfumada para todos os amigos daqui!






Que bom que o sol voltou a brilhar nesta segunda-feira, porque o último domingo foi de chuvinha e tempo bem nublado. Apesar do domingão preguiçoso e de cara fechada, o Duo Encantado contou deliciosas histórias de Ruth Rocha lá na Biblioteca São Paulo. A gente não conhecia o espaço, que é muito amplo e tem algumas "tendas" onde as pessoas podem ficar lendo seus livros ou se divertindo com jogos, de maneira bem confortável nas almofadas. Ai, delícia! As histórias contadas foram Bom dia, todas as cores!, Marcelo, marmelo, martelo e Eugênio, o gênio. Foi muito gostoso tudo! As crianças, ao final, foram convidadas a participar, de brincadeirinha, de um concurso de Perguntas e Respostas, como acontece com o Eugênio, o gênio. Ah! Tá curioso para saber como foi o tal concurso? Bom, procurem então a história que foi postada lá no tópico histórias de montão e divirtam-se. As crianças e adultos presentes no domingo, na Biblioteca São Paulo, se divertiram de montão. Pena, que não tenho fotos... Entretanto, vou já pedir para o pessoal da biblioteca que tirou bastante fotinhas de todos.

Espero que vocês se divirtam com as duas deliciosas histórias de Ruth Rocha. Um grande abraço e, se quiser, deixe um comentário, que pode ser uma sugestão, dúvida, crítica...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A garça velha

A Garça Velha
Certa garça nascera, crescera e sempre vivera à margem duma lagoa de águas turvas, muito rica em peixes.
Mas o tempo corria e ela envelhecia. Seus músculos cada vez mais emperrados, os olhos cansados - com que dificuldade ela pescava!
- Estou mal de sorte, e se não topo com um viveiro de peixes em águas bem límpidas, certamente que morrerei de fome. Já se foi o tempo feliz em que meus olhos penetrantes zombavam do turvo desta lagoa...
E de pé num pé só, o longo bico pendurado, pôs-se a matutar naquilo até que lhe ocorreu uma idéia.
- Caranguejo, venha cá ! - disse ela a um caranguejo que tomava sol à porta do seu buraco.
- Às ordens. Que deseja?
- Avisar a você duma coisa muito séria. A nossa lagoa está condenada. O dono das terras anda a convidar os vizinhos para assistirem ao seu esvaziamento e o ajudarem a apanhar a peixaria toda. Veja que desgraça! Não vai escapar nem um miserável guaru.
O caranguejo arrepiou-se com a má notícia. Entrou na água e foi contá-la aos peixes.
Grande rebuliço. Graúdos e pequeninos, todos começaram a pererecar às tontas, sem saberem como agir. E vieram para a beira d'água.
- Senhora dona do bico longo, dê-nos um conselho, por favor, que nos livre da grande calamidade.
- Um conselho?
E a matreira fingiu refletir. Depois respondeu.
- Só vejo um caminho. É mudarem-se todos para o poço da Pedra Branca.
- Mudar-se como, se não há ligação entre a lagoa e o poço?
- Isso é o de menos. Cá estou eu para resolver a dificuldade. Transporto a peixaria inteira no meu bico.
Não havendo outro remédio, aceitaram os peixes aquele alvitre - e a garça os mudou a todos para o tal poço, que era um tanque de pedra, pequenininho, de águas sempre límpidas e onde ela sossegadamente poderia pescá-los até o fim da vida.
Moral da Estória:
Ninguém acredite em conselho de inimigo