quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Caros colegas e amigos que acompanham o trabalho do Duo Encantado.

Tivemos o imenso prazer de nos apresentar no Colégio Maria Imaculada para pequenos de 2 aninhos até 6 anos. Foi uma delícia!

Fiquei um pouco ansiosa e na expectativa porque foi uma maratona de dez apresentações em três dias e também porque os pequenos eram bem pequenos, de verdade.

Entretanto, assim que meus olhos encontraram os outros olhinhos foi uma emoção grande e uma cumplicidade perfeita.


As crianças participaram bastante e as professoras também. Isso nos deixou muito satisfeitos. Os repertórios foram elaborados de acordo com os temas que cada série estava estudando no bimestre. Sendo assim, organizamos repertórios com os seguintes temas: bichinhos de jardim, folclores, Monteiro Lobato e valores. Brincamos bastante! Fizemos brincadeiras de roda, cacuriá, desafios, charadasa - foi bem gostoso!



O repertório que trata dos bichinhos de jardim, chamou-se Brincando no Jardim e convidamos as crianças para brincar com a gente de procurar os moradores fixos e temporários e os bichinhos visitantes de jardins. No meio dessa procura toda brincamos de trava-línguas e charadas, foi uma festa só.





terça-feira, 22 de novembro de 2011

Alimentar com língua

Essa história eu ouvi no Simpósio Internacional de Contadores de Histórias (09-13/11/2011) com a Rosana Mont' Alverne durante sua oficina a Arte de Memorizar e Contar. Foi um momento divertidíssimo e eu me apaixonei pela história na mesma hora. Espero que vocês também gostem. Ótima leitura e... vamos todos  alimentar pessoas com língua e nos deixar ser alimentados com língua!

Aproveito para convidá-los ao desafio de deixar um comentário sobre o assunto, após lerem a história.

Um sultão vivia com a mulher no seu palácio, mas a mulher era infeliz. Ela ficava cada dia mais magra e mais apática. Na mesma cidade havia um homem cuja mulher era saudável, bem nutrida e feliz. Quando o sultão ouviu isso, chamou o homem pobre à corte e lhe perguntou qual era o seu segredo. O homem pobre disse: “Muito simples. Eu a alimento com língua”. O sultão mandou chamar o açougueiro imediatamente e lhe disse que as línguas de todos os animais abatidos na cidade deviam ser vendidas a ele, o sultão, e a mais ninguém. O açougueiro fez uma mesura e foi embora. Todo dia ele enviava ao palácio as línguas de todos os animais. O sultão ordenou que o seu cozinheiro as cozinhasse, fritasse, assasse e salgasse de todas as maneiras possíveis, e que preparasse cada um dos pratos do livro de receitas. A rainha tinha que comê-los, três ou quatro vezes por dia – mas a coisa não funcionou. Ela ficava cada vez mais magra e mais adoentada. O sultão ordenou ao homem pobre que trocasse sua esposa pela dele – e o homem concordou com certa relutância. Ele levou a rainha magra para casa e enviou a sua esposa para o palácio. Infelizmente, a esposa do homem pobre foi ficando cada dia mais magra, apesar da boa comida que o sultão lhe oferecia. Era evidente que ela não podia ficar bem num palácio.
Ao chegar em casa a noite, o homem pobre saudava sua nova (real) esposa, contava-lhe o que tinha visto, principalmente as coisas engraçadas, depois lhe contava histórias que a faziam se torcer de rir. Em seguida pegava o banjo e cantava para ela, ele conhecia diversas canções. Ele ficava acordado até tarde da noite, brincava com ela e se divertia. E então pronto! A rainha ganhou peso em poucas semanas, ficou com ótimo aspecto, a pele brilhante e lisa como a de uma menina. E ela passava o dia sorrindo, lembrando-se das coisas engraçadas que o seu novo marido lhe contara. Quando o sultão mandou que ela voltasse, ela se recusou a ir. Então o sultão foi buscá-la e a encontrou muito mudada e feliz. E lhe perguntou o que o homem pobre fizera com ela, e a rainha lhe contou. Então ele entendeu o significado de alimentar com língua.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011


Simpósio Internacional de Contadores de Histórias
Caros amigos! Hoje começa o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, ôÔ delícia. O evento ocorre na cidade do Rio de Janeiro, em Copacabana e a programação está muito boa. Todas as atividades são gratuitas, basta se inscrever. Entretanto, para as oficinas todas as vagas já estão ocupadas. Eu só me decidi ontem porque estava envolvida

Por esses dias, até segunda-feira, acho que não vou conseguir postar. Ainda estou precisando atualizar algumas coisas aqui - apresentações lindas que o Duo Encantado fez no último sábado de outubro lá no Centro Cultural Promissão em Diadema e fotos da apresentação das Histórias
 para Brincar no Centro Cultural São Paulo. Enfim, disposição eu sempre tenho mas, às vezes, sou traida pelo tempo.

Já vou adiantar uma coisa para as pessoas da Zona Leste que acompanham o meu trabalho: em breve, vou dar uma palestra na Biblioteca Pública Jovina B. Pessoa sobre o brincar, as brincadeiras e o ouvir histórias na infância. Assim que eu tiver os detalhes faço o convite pelo blog.

Abaixo está o link para vocês ficarem sabendo de toda a programação.

http://www.simposiodecontadores.com.br/default.aspx?code=2

A gente se encontra lá!!

E quem não puder ir, pode deixar que vou postar aqui o máximo de coisas interessantes que eu experienciar no Simpósio, certo?

Abraços e inté já!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A incapacidade de ser verdadeiro


No dia das crianças, durante minha apresentação, eu recitei esse lindo poema de Carlos Drummond e...me esqueci de creditar. Como eu fiquei inconsolável todos os dias e porque sou apaixonadíssima por esse poema e por seu autor já faz uma boa quantidade de anos, resolvi postar aqui essa lindeza. Sei que vão se deliciar.
                                                  Carlos Drummond de Andrade

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo.
Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico.
Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
— Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Balançando o Esqueleto no Centro Cultural Promissão em Diadema



Na última sexta-feira, caia uma chuvinha teimosa a tarde. O Duo Encantado se preparava para uma apresentação no CC de Promissão, em Diadema. O repertório foi de histórias de terror e as crianças, ao chegarem, corajosas que só, foram pedindo para apagarmos as luzes, Ai, que medo!!

Todas as histórias deste repertório são muito divertidas porque nos pregam peças! O começo é cheio de mistério, o enredo vai se tornando assustardo e o final... é de fazer rir.

Vejam que criançada bonita que esteve presente.

As histórias foram pouco a pouco deixando todo mundo envolvido e o clima estava de total descontração.




Todo mundo até se esqueceu do tempo nublado que estava fazendo lá fora. Aliás, bem que o cinza e a chuva fina ajudaram a compor o clima de mistério e suspense.






Cada história contada era um tanto de criança que queria falar alguma coisa. Uns queriam contar uma outra história, outros queriam que eu explicasse alguns detalhes houve até quem discordasse do final de uma história! Criançada participativa é assim.


E as caras e bocas que o Giba Santana fazia?
Acompanhe uma delas na foto aí abaixo, quando estávamos na última frase da história Noites Misteriosas que diz assim: "- Era um gato! E o felino ao ver que alguém o observava cortou, novamente, o silêncio da noite com um miado fino e comprido."

Como foi gostoso ver a criançada já se esparramando pelo chão, virando "gelatina" como diz Ilan Brenman. 
Em uma das histórias (O desencantamento das bruxas) até fizemos de conta que estávamos participando de uma reunião de bruxas. Foi bem divertido.
Na história do João sem medo todo mundo ficou de olhos bem arregalados, afinal de contas aparecem frades fantasmas, ogro e mais um monte de criaturas de fazer arrepiar os cabelos, tremer as pernas e bater os dentes.

No dia 29 deste mês voltaremos lá no Centro Cultural Promissão para fazer as Histórias de Arrepiar. Esse repertório é de terror mesmo, histórias de um medo cabeludo.
Estão todos convidados. Mas, se não der para ir ver a gente, dá ao menos para acompanhar um pouquinho por aqui.
Não deixe de nos visitar aqui!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Eu te amo! Eu te amo! Eu te amo!


Domingo de chuva que nem parecia primavera porque a cor do tempo era cinza.

Descendo a rua Augusta eu ía. Sombrinha florida em punho, sapatos azuis e uma caixa de papelão embrulhada em um papel vermelho que de tão brilhante reluzia.

Cheguei antes do horário combinado na Livraria da Vila. Fiquei boquiaberta com o tamanho do lugar, com a quantidade de livros, com a beleza e elegãncia de tudo ali. Eu ainda não conhecia. Procurei pelo Marcos que me levou, subindo as escadas, ao espaço infantil da livraria. Local bem aprazível, com alguns pequenos folheando livros, outros brincavam e uns outros ainda andavam, agitados, de um lado para o outro.

Anunciei a contação de histórias. Ressabiados alguns, contentes outros, indecisos mais alguns e assim o auditório foi ficando aquecido com aquelas presenças.

Ah! Foi só começar e uns pequenos já se aproximaram mais, alguns chegaram a se esparramar nos pufs enormes e coloridos. Fiquei muita satisfeita também de ver a participação dos adultos que se permitiram sentir-se crianças, imaginar e sonhar como crianças.

Terminada a apresentação, agradecimentos, aplausos, despedidas e...Fausta. Uma pequenina garota, de seus quatro ou cinco anos, se aproximou de mim, deu um delicioso e inesquecível abraço e me disse, bem ao pé do ouvido, com uma voz meiga, doce e sincera: EU TE AMO!

Emudeci e me emocionei. Minha tarde de domingo ganhou cores, tantas cores!

Depois encontrei Fausta na lanchonete, ela estava com seu pai e me observava da mesa. Quando me levantei, me aproximei da mesa dela e me despedi. Ela veio até mim, me abraçou e disse um outro, e o mesmo: EU TE AMO!

Se ela soubesse como aquilo ressoou em mim, talvez ela saiba. Na sua ingenuidade de criança, talvez ela bem saiba e por isso insistiu.

Eu fui saindo, o corredor até as escadas era comprido, ouvi passos delicados e rápidos atrás de mim, olhei para trás e Fausta vinha ao meu encontro. Ela me abraçou, um abraço delicado e decidido. Sua voz doce no meu ouvido disse: EU TE AMO!




Esse tal de cartão de memória...


Boa tarde de chuva na cidade grande - Sampa!
Meus caros,

Ah! Como eu queria já ter postado as fotos da semana da criança. Acontece que eu, não sei como, consegui enroscar o cartão de memória da máquina fotográfica no local onde deve ser conectado no computador. Achei que fosse possível eu resolver esse problema hoje, mas não deu. Fui resolvendo outros probleminhas, porque como disse Leminsk "os problemas têm família grande", rrs e o dia já está findando.

Amanhã, Oxalá! eu conseguirei resolver isso e coloco as fotos aqui. Porém, não tem fotos de todos os dias não, infelizmente. De qualquer forma, espero que a partir dos meus relatos aqui, dê para cada um acompanhar um pouquinho do que foi essa semana de encantamentos.

Por favor, participe! Dê idéias, sugestões, críticas, elogios. Esse blog é para vocês.

Ah! Já que citei o poema do Paulo Leminsk e como sou grande admiradora do poeta e, especialmente do poema citado, vou postá-lo para vocês. Espero que gostem também.

Um grande abraço e ótimo começo de semana.



    no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
    a gente gostaria
de ver nosso problemas
    resolvidos por decreto

    a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
    é considerada nula
e sobre ela -- silêncio perpétuo

    extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
    lá pra trás nã há nada,
e nada mais

    mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
    e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
    e outros pequenos probleminhas