segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Comemoração do aniversário de cinco anos da Biblioteca de São Paulo



Foi uma grande alegria e satisfação para nós, da Cia Duo Encantado, receber o convite para participar das comemorações de aniversário da Biblioteca de São Paulo, que aconteceu no último final de semana (07 e 08/02). Foi bastante significativo porque somos parceiros há quase quatro anos, ou seja, nossa parceria começou quando a Biblioteca de São Paulo era um bebezinho. Um outro significado importante foi o fato de sermos convidados para contar histórias no Parque do Carmo! Um parque que é vizinho da sede da companhia e onde vou assiduamente passear e aproveitar as belezas naturais. 



Ah! Posso dizer que foi um pedaço de manhã e um começo de tarde, muito gostosos, alegres e cheio de encantamento. O público gostou e a gente, mais ainda. Brincamos, cantamos, contamos histórias e ouvimos outras tantas. Conhecemos pessoas, fizemos novas amizades e revemos outras pessoas queridas, como a Flávia e sua querida família. 

Para nós é sempre uma alegria receber as pessoas que gostam do nosso trabalho. É o que dá sentido ao que fazemos. Muito obrigada! 

Acompanhem nossa agenda e venha com a gente!



Até a próxima! Um grande abraço,

Rosita Flores

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A Cia Duo Encantado se despede de 2014 com muita gratidão

Mais um ano bom chega ao fim. Para nós da Cia Duo Encantado, o ano de 2014 foi de boas conquistas e de muito trabalho. Foi um ano de muitos sorrisos guardados na memória e de muitas alegrias e sonhos compartilhados. Foi um ano de boas histórias contadas, ouvidas e vividas. Um ano também de muitas dificuldades e de trabalho árduo. Porém, colhemos muitos bons frutos. Também fizemos parcerias muito gostosas que fortaleceram nossa caminhada e trouxeram frescor ao nosso trabalho. 2014 foi um ano de plantio com mais maturidade e sabedoria. 








Programa Domingo no Parque (Biblioteca de São Paulo, Parque da Juventude)




















Nestes quase cinco anos de Cia Duo Encantado nós temos trilhado nosso caminho com perseverança, fé e muito estudo. E, aos poucos vamos colhendo conquistas, e duas delas foram muito especiais neste ano: nosso primeiro lugar no Edital de Fomento e Estímulo à Leitura da Prefeitura de São Bernardo do Campo com os projetos Livro na Roda: Contar histórias com o livro e Assim Estava Escrito; e a contemplação no edital de Literatura do SESI de São Paulo, com o repertório Mais que um susto!



Contando histórias no Festival Sul Americano de Cultura Árabe - Centro Cultural São Paulo e Bibliaspa
Ao longo deste ano fizemos trabalhos bem marcantes e de muita entrega, estudo e rotinas de ensaios. Quero destacar nossa participação no Festival Sul Americano de Cultura Árabe, com histórias árabes da tradição oral. Foram dias e dias de muito estudo, ensaio e conseguimos criar trilhas musicais lindas que emolduraram as histórias que foram contadas nos finais de semana de março no Centro Cultural São Paulo. Foi demais! No mesmo festival ministramos também um curso de formação em contação de histórias na Biblioteca Municipal Nuno Santana. 

Participamos mais um ano do Recreio nas Ferias, pelo PROART que é sempre tão gostoso! Fizemos apresentações em CEUs, circo, bibliotecas, escolas e teatros. E tivemos uma grata alegria em estreitar laços e firmar parceria com a Biblioteca de São Paulo, no programa Domingo no Parque. Foram vários domingos junto a um público alegre, descontraído e animado que parava para ouvir histórias, brincar e cantar com a gente nos parques: Villa Lobos e da Juventude.




Ah! E quanta alegria e satisfação em ministrar a oficina Baú da Infância: a arte de contar e brincar com a tradição oral, no centro cultural mais charmoso de São Paulo - a Casa das Rosas. Foram dois meses de tanta troca, de tantas e boas histórias e de muitos aprendizados, cantorias e brincadeiras nas manhãs de sábado. 



Grupo da Oficina Baú da Infância, Casa das Rosas
Oficina de brincadeiras tradicionais para os professores da EMEF Dias Gomes



Contando histórias na Pastoral da Criança, Butantã (Dia das Crianças)

































E foi neste ano, de 2014, que elaboramos o nosso primeiro repertório de contação de histórias para bebês. Foi sensacional! E foi lá na Casa das Rosas que estreamos em setembro. Quanta alegria e gratidão!


Virando Bicho para bebês - Casa das Rosas
Contamos histórias na rua, na praça, no coreto... Ah! Participar do Festival Baixo Centro foi uma experiência incrível e conheci artistas maravilhosos. E o que dizer do Festival de Cultura Paulista, o Revelando São Paulo? Belezas na nossa travessia de artesãos da palavra.


Festival Baixo Centro - Minhocão (São Paulo)
Participar das lutas de resistência dos moradores da cidade de Caldas, em Minas Gerais no evento VaiSuldeMinas em apoio à preservação da Área de Proteção Ambiental da Pedra Branca no início de dezembro, foi de essencial importância para nós que acreditamos na força do trabalho artístico como algo libertador e de transformação de pessoas para um mundo melhor, mais generoso e mais bonito. 


Participação da Cia Duo Encantado no evento de resistência e luta para preservação da APA Pedra Branca em Caldas (sul de Minas Gerais)
Este ano está se despedindo da gente e nós nos despedimos dele com muita esperança, satisfação e com a certeza de estarmos no caminho que nos foi dado. 

No ano de 2014 a Cia Duo Encantado fez novas parcerias e consolidou outras. Amigos artistas se juntaram ao Duo e nossos projetos ficaram mais bonitos. Só temos a agradecer pelo carinho de cada um que "engrossou o caldo" com seus talentos, suas ideias, sua criatividade, sua vontade de estar junto. GRATIDÃO!! Gratidão também aos amigos que estão juntos na torcida, aos que vão nas apresentações, aos que vibram com nossas conquistas. Desejamos um Bom Natal e um 2015 com tudo de bom, belo e gostoso.
Que 2015 traga belas histórias pra todos nós.
Que em 2015 os laços construídos estejam ainda mais fortalecidos e que novas parcerias aconteçam. 



Contando histórias para a primeira infância no Colégio Torres

A Cia Duo Encantado, deseja a todos um Natal iluminado de alegria, perdão, esperanças e amor. E que em 2015, as boas histórias preencham nossos caminhos. 

Que em 2015 a gente se encontre pelas boas histórias.

Um grande e fraternal abraço. 

Rosita Flores e

domingo, 10 de agosto de 2014

Cada ramo, cada folha


Autoria de Giovanna Artigiani





            Timidamente, Vitor batia na porta de Takane. O que ele buscava ali era muito simples: queria aprender a fazer bonsais e sabia que Takane fazia isso. Pediria que ele lhe desse aulas, perguntaria o valor e combinaria os horários.
            Takane, lá do fundo do galpão, interrompeu sua atividade e chegou mais perto de Vitor, cumprimentando-o com um gesto de cabeça. Vitor expôs as suas ideias objetivamente. Takane escutou e lhe disse “Me acompanhe”. Andaram pelo galpão em silêncio, observando as árvores. Depois, Takane levou Vitor a um canto, onde havia mudas, e lhe disse que escolhesse uma para iniciar o cultivo do seu primeiro bonsai. Vitor escolheu uma rosqueira e Takane escolheu uma figueira.
            – Essas duas árvores ficarão juntas aqui nesta estante. Cada vez que você vier, trabalharemos no cultivo de bonsais com elas – e Takane despediu-se com um gesto de cabeça.
            Vitor entendeu que era o fim da aula. Pensou que aquele encontro fora pouco objetivo. Voltou a dali dois dias; sobrou meia hora no intervalo do almoço e ele resolveu passar no galpão, essa era a verdade.
            Ele entrou e foi até Takane, que lhe sorriu e se dirigiu à estante, onde seus bonsais esperavam pacientes. Cada um pegou a sua árvore e as levaram à bancada; Vitor observava Takane e tentava lhe imitar. Pegaram vasos rasos, cortaram as raízes um pouco e plantaram as árvores com as pontas dos dedos. Colocaram um pouco de água, bem pouco. Takane voltava com a sua árvore para a estante e Vitor entendeu que deveria fazer o mesmo. Era o fim da aula de novo.
            Vitor voltou mais duas vezes, e era sempre bem recebido. Parecia que Takane o estava esperando. Sempre que ele chegava, Takane de imediato interrompia o que estava fazendo para trabalharem juntos nos bonsais, como se ele estivesse completamente desocupado, mas na verdade Vitor via que ele sempre estava fazendo alguma coisa, que interrompia para lhe dar atenção. Pensou bastante se alguma vez em sua vida tinha recebido a visita inesperada de um amigo em seu escritório. Seus amigos nunca o visitariam lá, pois sabiam que ele jamais interromperia suas atividades para conversar com quem quer que fosse. Seus amigos mais íntimos marcavam horário, ligavam antes de ir, perguntavam se podiam entrar. Que coisa!
            Vitor então decidiu que na próxima visita ao galpão de Takane seria objetivo e perguntaria se poderiam combinar um horário para as aulas. Ele fez isso; Takane sorriu e respondeu objetivamente também:
– Este é o meu trabalho. Você vem, se eu estiver aqui, trabalhamos juntos pelo tempo necessário.
            Vitor gostava da companhia de Takane, tentou inclusive conversar com ele, como coisa que fazem os amigos. Por uma ou duas vezes tentou iniciar um assunto do tipo “Você assistiu o jogo ontem?” ou “Tem feito muito calor, não acha?” Mas Takane respondia sim ou não e o assunto morria outra vez. Vitor às vezes falava algo sozinho, contava algo do seu cotidiano, mas já não esperava mais a interlocução do amigo. Um dia, Takane falou a Vitor:
– Observe uma floresta. Tudo nela está crescendo e não há barulho o tempo todo, somente sons esparsos, necessários.
            Vitor passou, depois disso, a adotar outra postura: quando um assunto lhe viesse à cabeça, ele refletiria se era importante falar aquilo. Se não fosse algo absolutamente necessário para dividir, ele simplesmente esperava a vontade de falar passar. Muitos encontros se passaram em que ele notou que nenhuma palavra havia sido dita, mas os bonsais e aquela relação de amizade continuavam, sem nenhuma dúvida, a crescer.
            Vitor precisou muito, um dia, dizer a Takane que queria pagar pelas aulas. Takane sorriu e respondeu:
– Eu não dou aulas de cultivo de bonsais, não há nenhuma placa anunciando isso na frente do galpão.
– Mas você dá aulas para mim, Takane!
– Não sou eu que ensino, é você que aprende. Quando você vem, trabalhamos juntos, observando nossas árvores e tentando interagir com elas.
– Mas eu me sinto grato.
– Então isso muda tudo. Se você desejar fazer algo por mim, pode me ajudar na exposição de bonsais. No último final de semana de cada mês, abro o galpão para exposição e venda, das oito horas da manhã às oito horas da noite. Nesses dias, eu preciso de ajuda; você será bem-vindo.
            Vitor ficou estarrecido. Takane... que jogada de mestre! Ele pediu que Vitor o pagasse, se quisesse, com sua moeda de troca mais valiosa: seu tempo. Vitor perguntou-se se queria mesmo usar um final de semana inteiro seu com essa atividade, e o quê, afinal, os bonsais estavam representando em sua vida.
            No último final de semana do mês, lá estavam Vitor e Takane, abrindo o galpão e recebendo os visitantes. Vitor ficou muito impressionado consigo mesmo ao responder várias perguntas das quais não sabia que conhecia as respostas. Ao final do domingo, Vitor se sentia cansado, de uma forma diferente da que costumava sentir ao final de um dia de trabalho seu no escritório da agência de publicidade. Ele se sentia feliz por ter sido útil, e nem sempre se sentia assim ao entregar uma campanha publicitária. Eram trabalhos diferentes, como se pertencessem a mundos diferentes.
            Um dia, sentados lado a lado na bancada, cada um cultivando o seu bonsai, Vitor contou à Takane:
– Acabo de saber que vou ser pai.
– Como se sente?
– Assustado.
Takane disse, depois de alguns minutos:
– Criar filhos não é muito diferente de cultivar bonsais. A árvore tem uma força de crescimento própria, que você, como cultivador, tenta orientar, adubando as aptidões e podando o que considera maus instintos. O desafio é estar presente e atento, observar cada ramo e cada folha, saciar as necessidades na medida em que apareçam, dando somente o suficiente, na hora certa.
            Vitor nunca tinha ouvido Takane falar uma frase tão longa. Ele sabia que o amigo tinha dois filhos, que ajudavam também nos finais de semana da exposição. Aquele seu conselho de experiência vivida acalmou o seu coração.
            Vitor mudou-se de apartamento, estava arrumando a vida para receber a filha que chegaria em alguns meses. Sua agora esposa lhe sugeriu dar o novo endereço a Takane e lhe convidar para os visitar. Vitor chateou-se consigo mesmo por não ter pensado nisso antes, mas quando deu o endereço anotado para Takane, ressaltou que ele poderia vir quando quisesse.
            Takane sorriu, guardou o papel no bolso. Enquanto cultivavam seus bonsais, naquele mesmo dia, Takane fez uma pergunta a Vitor:
– Posso lhe pedir, bom amigo, que me ensine a fazer uma coisa?
            Vitor arregalou os olhos assustado com a pergunta, sem saber o que ele poderia saber fazer que o amigo quisesse aprender. Takane completou sua pergunta:
– Eu gostaria que me ensinasse a fazer caipirinha.
            Vitor deu uma risada gostosa e abraçou o amigo brevemente, para desconcerto total de Takane. Mas Vitor, bom brasileiro, não podia perder a chance de imitar o amigo:
– Não vou ensiná-lo. Vamos fazer juntos, você é que vai aprender.
            Em um dia à noite, na mesma semana, Takane bateria à porta do apartamento de Vitor, acenaria com a cabeça e entraria. Vitor nem pestanejou em interromper o trabalho que fazia no computador e ir com o amigo para a cozinha, fazer caipirinha.
            Enquanto trabalhavam, Takane tentou puxar um assunto: ele estudara, antes de vir, alguns nomes usados como sinônimo de cachaça no Brasil. Eles se divertiam relembrando nomes como “água que passarinho não bebe”, “marvada”, “branquinha” e outros, tão sugestivos quanto. Feita a caipirinha, foram saboreá-la na varanda.
            Depois que Takane foi embora, a esposa de Vitor comentou que foi muito estranho vê-los na varanda, tomando caipirinha em silêncio. Vitor pensou, com muita satisfação, que o silêncio não o incomodava mais. Esse ritual da caipirinha se repetiria muitas outras vezes, com grande satisfação para ambos.
            No galpão de Takane, enquanto cultivavam seus bonsais, Vitor perguntaria um dia ao amigo:
– Quando meu bonsai poderá ser considerado pronto?
            Takane riu:
– Nunca, Vitor; bonsais são vivos, não estão prontos nunca. Não são como caipirinha, que se aprende em um dia. Se você quer um novo desafio, podemos começar a trabalhar em outra muda. Você vai ver como algo que parece igual pode ser muito diferente.
            A filha de Vitor nasceu, começou a andar, começou a falar e foi para a escola. Nos finais de semana da exposição, a filha e a esposa de Vitor o visitavam no galpão e conversavam um pouco com os filhos e a esposa de Takane.
            Numa viagem de trabalho, nessa época, Vitor estava participando de dinâmicas de grupo com os colegas do escritório. Na entrevista com a psicóloga, pleiteando subir de cargo, ela se mostrou agradavelmente surpresa com o que chamou de hobby de Vitor. Vitor respondeu-lhe que era muito mais do que isso. Custava muito caro, custava o seu tempo.
            A amizade, já tão longa, via os bonsais iniciais tomarem formas, e outras árvores se juntaram às primeiras, invendíveis. Vitor contou a Takane que seria pai outra vez.
 Takane de novo perguntou:
– Como se sente?
E Vitor respondeu:

– Imensamente feliz. Posso cuidar de mais de um bonsai de cada vez.

sábado, 17 de maio de 2014

Festival Sul Americano de Cultura Árabe

TENDA DA PALAVRA

O mês todo de fevereiro foi de nos debruçar nos estudos dos contos, das lendas, da música e de outros aspectos da cultura árabe. Toda esta imersão foi com o objetivo de compor o repertório Tenda da Palavra, apresentado em ocasião do V Festival Sul Americano de Cultura Árabe o qual tivemos a grande satisfação em participar. Este ano foi bem especial porque houve uma parceria com o Centro Cultural São Paulo e vários eventos ligados ao festival, aconteceram neste espaço. Inclusive a contação de histórias que foi no Espaço de Leitura da Biblioteca Infantil.

Foram tardes esticadas ouvindo músicas árabes, lendo histórias, contos e sobre a cultura árabe. As  reuniões foram, inclusive, gastronômicas. Fizemos estudos da língua, da  música, das histórias e da geografia! E fomos pesquisar a maneira correta de dizer algumas palavras e frases que consideramos importantes para ilustras alguns aspectos das histórias ou até mesmo como forma de transmitir um pouco mais da cultura. Pesquisamos tecidos e adereços para compor um figurino que dialogasse com as histórias selecionadas e com a maneira como estávamos produzindo a apresentação. Ao final de cada ensaio, a gente sentia um cansaço bom e cheio de satisfação. Cada um de nós (Rosita, Giba e Marli) se envolveu tão profundamente com esse trabalho, que sentíamos até um certo frio na barriga em pensar que acabaria em trinta de março.

Nos estudos individuais, eu narrava as histórias e filmava, simultaneamente. Assim percebia os detalhes dos gestos, entonação de voz, expressão corporal, vícios de linguagem, uso de adereços, entre outras coisas. Giba se concentrava ouvindo músicas e melodias árabes e toques no djembe, além de estudar a manipulação do boneco Vovô Said. Sim, houve também manipulação de boneco. Giba criou um personagem libanês chamado Vovô Said que brincava com a plateia e apresentação algumas coisas da cultura árabe de uma maneira divertida e simpática. A Marli, por sua vez, pesquisava entre seus trabalhos e vivências as melodias e músicas árabes e trazia sempre uma novidade para a gente.

Devo confessar que as histórias da cultura árabe tem uma profundidade e densidade muito grandes e o tempo todo ficávamos testando maneiras de apresentar as histórias de uma maneira divertida e interativa, palatável para as crianças sem que, no entanto, perdessem sua complexidade. Os contos escolhidos foram da tradição oral árabe e alguns, eu selecionei de livros do Malba Tahan em que ele faz uma releitura dos contos. Opa! Houve uma exceção. Um dos contos foi autoral, e eu tive esse desafio maior que foi estudar um conto árabe escrito por Paulo Farah (diretor da Bibliaspa, estudioso da cultura árabe). Uma grande responsabilidade estava em minhas mãos. O conto de Paulo Farah (diretor da Bibliaspa), intitulado O contador de histórias faz um percurso pela cultura árabe, dando especial atenção para a força da oralidade e da amizade. Uma história muito sensível e bela. Foi um maravilhoso presente.

Ah! Tivemos também a interpretação em libras: adorei! As profissionais que nos acompanharam mandaram muito bem. Vocês podem comprovar com a foto abaixo.



No final das contas, nós todos gostamos muito do resultado!

Em todos os dias de apresentação nós tivemos a grata satisfação de receber amigos que vinham prestigiar.

Como transmitir para quem não foi, a intensidade de tudo o que foi a nossa temporada de contos árabes no Centro Cultural São Paulo? Não há como, porém acho que pelo meu relato e as fotos, deu pra ter o gostinho.





Festival Baixo Centro

FESTIVAL DE RUA DO BAIXO CENTRO






Gosto muito de pensar na rua como um lugar de encontro, de partilha, de brincadeira, de festa e que enseja a convivência social e cidadã.
Gosto de sair às ruas e ver seus artistas nos faróis e nas praças.
Gosto de ver a rua tomada de gente envolvida numa procissão, num cortejo, em uma festança boa de São João, num bloco de carnaval.
A rua é o lugar de todo mundo. Na rua tudo coexiste e tudo pode ser.
A rua é viva e dinâmica. Nela espreitam oportunidades, delírios, ousadias, democracias. A rua é um lugar democrático por excelência.
E como é bom quando conseguimos vislumbrar infinitas possibilidades e jeitos de estar e ser na rua! Só mudando o olhar para perceber riquezas deste lugar comum à todos e pouco explorado.
O Festival Baixo Centro é uma destas manifestações que acontecem na rua e profundamente democrática desde sua concepção, organização e tudo o mais.

Ano passado eu me inscrevi, mas não consegui ir porque tudo ficou embolado. Esse ano eu me organizei melhor para poder participar, um pouquinho que fosse dessa maravilha que é o Festival Baixo Centro. No mesmo dia, eu tive também outra apresentação, na Biblioteca de São Paulo em horários próximos. Quase pensei em desistir, de novo, entretanto eu mantive a fé em que tudo iria dar certo. E deu mais que certo!
Além de ter passados momentos incríveis fazendo arte na rua, ainda pude conhecer uma artista incrível - a Carolina Velasquez com seu Fabuloso.

Fui com Giba Santana e eu contei histórias, ele tocou, nós e público cantamos, brincamos e fomos personagens das histórias. Na rua tudo acontece de um jeito espontâneo.

Ah! Como foi bom. Ano que vem eu quero mais.

Deixo os meus agradecimentos para a rua!

Um grande abraço,

Rosita Flores