Hoje meu telefone tocou cedo. Eu atendi ao pedido que me levou até o segundo andar do hospital - setor de hemodinâmica. Meu pai lá estava, numa maca, aguardando para fazer o tão temido cateterismo. No mesmo lugar, outras duas macas: senhor Edevaldo na primeira e na segunda a dona Cleusa. O senhor José Poiatto (meu pai) estava na maca do canto. Dois funcionários, o Rodrigo e um outro cujo nome não lembro, olhavam alguma coisa no computador.
Entrei, cumprimentei todos e fui conversar com meu pai. Mãos dadas com ele, palavras trocadas e então olhei ao redor: tensão no ar! Tensão gigante porque estava somada. Era a minha tensão, mais a tensão do sr. Edevaldo, mais a da dona Cleuza e a do meu pai. Acho que só os funcionários, já tão habituados com pacientes de avental verde deitados em maca aguardando cateterismo, que mantinham um certo ar de "não tenho nada com isso".
Foi então que eu levantei e perguntei: Posso contar uma história?
O Rodrigo deu de ombros. Meu pai me olhou orgulhoso e, nas duas outras macas, olhos brilhantes de sorrisos tímidos me encorajavam.
Comecei. Sinal de alguém pedindo para eu falar mais baixo. Ignorei. A história foi seguindo seu rumo próprio. Seis pares de olhos atentos acompanhavam. Ás vezes, apareciam outros pares de olhos, vindos de fora, que arriscavam um olhar furtivo. Outros apareciam e até se demoravam. Num momento da história a personagem canta "lavadeira, lavadeira, lava roupa bem lavada ô lavadeira". Em outros momentos, minha pequena e ilustre plateia participa e dá conselhos aos personagens. Finda a história e eu vejo sorrisos brotaram novamente. Lágrima em um par de olhos, também. Já não eram mais quatro desconhecidos naquela sala fria. A história contada permitiu aproximar as pessoas e suas histórias de vida. A prosa foi começando e todos conheceram um pouco da vida do outro; das famílias que esperavam, do time de futebol e puderam expressar como cada um estava sentindo a angústia de estar ali.
Rodrigo vem me avisar que preciso sair e esperar lá fora. Desejo boa sorte, aperto a mão de todos e saio. A espera é longa. Foram três longas horas até eu ouvir uma voz de cera: Acompanhante do sr. José Poiatto. Entro. Meu pai sentado. Médico se aproxima, e com um sorriso me diz: O exame foi ótimo. Pensamos que os vasos do coração estavam entupidos (SIC) mas tá tudo bem. Ótimo resultado, ele completou.
Fiquei mais um tempo com meu pai, ajudei-o com o almoço e, ao sair, pude ouvir o funcionário Rodrigo cantarolar: "Lavadeira, lavadeira..."
Ah! Meu pai teve alta hoje.
Eu desejo que meu pai tenha ainda muitas boas histórias para ouvir, viver e contar.
Eu desejo que todas as pessoas internadas em hospitais recebam o conforto e o alívio de histórias inspiradoras.
Abraços
A Cia Duo Encantado desde 2010, desenvolve trabalho artístico de narrativa oral e criação de repertórios a partir da pesquisa da tradição oral. Com um mote brincante, intrínseco ao sujeito da cultura popular que conta, canta e brinca. As histórias são um convite para cada um passear por suas imagens internas, se conhecer e se ver no outro. São como pontes que ligam a humanidade. Os temas são variados e expressam as riquezas culturais e os pontos de contato entre os diversos povos do mundo.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Loja de Cristais - Conto de Giovanna Artigiani
Talvez não seja muito simples de
explicar as motivações que levam a nós vitrinistas, a buscar coisas das quais
não temos referências com o objetivo que criar nos observadores uma vontade
incontrolável de entrar em uma loja. Na minha rotina circular eu reservava
tempo para inspirar-me no mundo e seguia assim, caminhando pela rua observando
as pessoas e seus jeitos, as coisas e seus detalhes. Eu desempenho no mundo
comercial o papel de cupido, buscando flechar pela cena apaixonante de uma
vitrine o olhar do comprador. Dirão que não tenho uma missão muito nobre, que
sou é uma enganadora que seduz para extirpar e usufruir. Mas não, a vitrine é
uma promessa, se for montada de uma forma que abrace o provável comprador com um
véu ela pode até mesmo unir duas pontas de corda: o desejo recém-nascido e a
associação de felicidade que a vitrine propõe.
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| Imagem retirada do blog: http://claudeteedeca.blogspot.com.br/2011/12/o-natal-de-cristal-da-harrods.html |
Eu
tinha em mente um projeto específico de uma loja de bolsas. Pensava em montar a
vitrine com as bolsas semi-abertas exibindo cristais como se eles tivessem sido
roubados. “Fui a uma festa e roubei essa taça”, “visitei tia Sophia e roubei
esse vaso”. Mensagens escondidas e cifradas de aquisição não legítima de
glamour, leveza e beleza. Como quem beija um homem que não é seu às escondidas,
como quem quer vender refrigerante e fala de sorrisos, como quem quer vender
cigarros e fala de aventuras, como quem quer vender sanduíches e fala de amor.
Eu
sabia onde deveria ir e entrei na galeria apertada e antiga, em direção à loja
de cristais.
Fui
recebida na loja pelos olhos compreensivos do seu antigo dono. Haveria hoje
peças novas? Com os óculos na ponta do nariz e a habilidade na ponta dos dedos,
mostrava-me variados objetos de cristal. Olhava-o através das peças enquanto
escutava sua voz pausada e descritiva de origens e funções. Eu separei algumas
peças médias, sempre unitárias, nada aos pares. Ouvi o farfalhar dos cristais
sendo abraçados em papel de seda e sendo colocados para dormir em suas
caixas-berço de papelão. Aquele homem fazia o seu trabalho parecer o trabalho
mais importante do mundo pelo tempo em que ele despendia no manuseio. Anotou o
endereço da entrega em um papel amarelo-velho e me prometeu que no dia seguinte
as peças de cristal acordariam o vigia da loja onde eu montaria a vitrine. Elas
me dariam um beijo de bom dia e nós nos faríamos companhia, como velhos amigos
que tem segredos em comum.
Giovanna Artigiani
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
O espantalho, conto do amigo, escritor e folclorista Valter Cassalho
Como conheci Valter Cassalho
Quando fui para Joanópolis pela primeira vez, já conhecia o livro Histórias do Arco da Velha, de autoria de Valter Cassalho e contava alguns dos causos que escritos ali. Por isso mesmo, mal cheguei na cidade e já fui perguntando do Valter para todo mundo. Eu queria muito conhecer de perto o autor de algumas das histórias que eu contava.
Era dia de São João e a cidade toda estava festejando porque também é o aniversário da Capital do Lobisomem. Para aqueles que ainda não sabem, Joanópolis foi por muito tempo conhecida como a Joia da Mantiqueira e depois recebeu a alcunha de Capital do Lobisomem. E assim também é conhecida até hoje.
Naquela noite de festejos não foi fácil achar o homem não. Quando falavam que o Valter estava num lugar, eu corria até lá e ele já tinha saído. Parecia caçada de gato e rato. Quando por fim, encontrei com ele, me deparei com uma pessoa muito amável, simpática, simples e extremamente solícito. Conversamos, ele me apresentou a Casa do Artesão, me presenteou com um saci feito pelo André e até anunciou no megafone da festa que, naquela noite, tinha uma contadora de histórias de São Paulo na cidade. Valter ficou satisfeito e alegre ao saber que eu contava seus causos. E eu fiquei mais ainda por ter recebido tal confiança. Depois de um tempo, ele generosamente me apresentou à professora e grande folclorista Neide Rodrigues e também me indicou para um trabalho com ela. Fui com Giba Santana conhecer a professora Neide que nos acolheu, muito hospitaleira, em seu delicioso sítio. Ensaiamos algumas horas com os músicos que compõem a orquestra de violeiros. Lembro com detalhes de como aconteceu tudo numa salinha da Ong Ora Viva São Gonçalo. Felicidade não cabia e eis que chegou o dia de contar os causos no Museu da Língua Portuguesa, num sábado de Virada Cultural em São Paulo. Neide Rodrigues e sua orquestra linda de violeiros foram costurando com as notas musicais as histórias, enquanto o Giba Santana pontuava sutilezas com sua mesa de objetos sonoros.
De lá para cá, eu e Valter tentamos também outros alinhavos para que eu fosse até Joanópolis contar histórias. Mas, isso ainda não aconteceu. Eu sinto que vai acontecer em breve. Oba!
Sou muito grata por ter conhecido a linda e encantadora Joanópolis, que é realmente, uma joia encrustada na Serra da Mantiqueira. Sou igualmente grata e me sinto honrada, por ter conhecido pessoas tão importantes para a cultura popular e que têm o compromisso com a sua valorização e difusão.
Alguns dias antes do último Natal, recebi um presente incrível do Valter Cassalho a dedicatória de seu causo O espantalho. Felicidade e alegria não couberam em mim.
Deixo aqui registrado este belo e interessantíssimo causo e logo depois segue o link para o blog do Valter onde você encontrará tantos outros causos e escritos interessantes e também divertidos.
O ESPANTALHO
À amiga Rosita Flores
Hoje não muito usado em nossas plantações, mas num tempo antigo muito presente na roça, os espantalhos espalhavam-se por ai. E num desses fundos de roça que ouvi o presente “causo”.
Contam que por um desses cafundós morava um garboso rapaz, descendente dos antigos coronéis e pagava pose de sinhozinho. Filho de família antiga, gente de posses, o rapaz de nome Bento vivia de terninho branco engomado, bonito, simpático e o chamavam de Bentinho. Morador da casa do grande de um bairro distante era desejado pelas moças casadoiras; porém naquele tempo, essas coisas de amor e paixão, de nada tinham valor, quem decidia com que se casava eram os pais. E assim Bentinho foi prometido em noivado a Jurema, uma bela e educada moça de dezesseis anos; combinado entre as famílias que ambos após o casamento morariam na cidade.
O tal Bentinho desperta ciúmes dos rapazes e suspiros das moças que por ali passavam ou trabalhavam na fazenda. Eis que poucos dias antes do carnaval, realizou-se as núpcias do casal, com grande festa e alegrias dos pais, e muito ciúmes das mocinhas, em especial de Maria Rita, a bela morena de vinte anos e ainda solteira, que vivia a suspirar pelos cantos da casa e imaginar seu amor com Bentinho. Maria Rita nutria pelo belo moço um amor platônico e triste, vivia a espiar o moço de longe, seguindo-o mesmo em seus banhos de rio. Neste amor impossível recusou casamentos e noivados.
Bem, mas voltemos a Bentinho. Passado o Carnaval veio a Quaresma, e os moços da fazenda, arteiros como eles só, resolveram dar uma peça no sinhozinho. Chegando a semana santa, roubaram alguma roupas do varal da casa grande e na quinta-feira santa, estavam todos num grande paiol fazendo os tradicionais judas. Fizeram o judas de uma fofoqueira da cidade nhá Bertina, do farmacêutico Leôncio Zeca, que era chato como ele só, do coronel e famoso mão-de-vaca Tico Preto e do engomadinho Bentinho, que ficou na estica de terno branco de linho, chapéu e tudo mais! Ora, Maria Rita era filha da nhá Tuca, lavadeira da Casa Grande e comentou o ocorrido do sumiço das roupas do rapaz. Desconfiada Maria Rita cismou algo, pois bem conhecia a esperteza dos meninos da fazenda nesta época de judas. Sorrateiramente na calada da noite foi até o paiol e logo deu de cara como o judas de Bentinho, e mesmo como judas, bem atochado de capim ela ainda o achou bonito. Neste amor doentio, Maria Rita cheirou o judas de Bentinho, abraçou o boneco e ficou a imaginar seu grande amor em seus braços. Como era bem eleve, colocou o judas nas costas e levou na sua casa. Que coisa feia, pensou ela, roubando algo na Sexta-Feira Maior e tendo pensamentos tão mundanos num dia grande desses! Chegou em casa e colocou o boneco em sua cama e dormiu com ele ao seu lado.
Amanheceu o sábado de Aleluia e os bonecos foram para praça, onde foram surrados, enforcados e antes de serem queimados como manda a tradição, foi lido o testamento de Judas, com grande algazarra e risadas dos presentes. No entanto, os rapazes notaram a falta do judas de Bentinho, mas dado tanto farra e tantos judas deixaram de lado o furto do dia anterior.
Após alguns dias e passado o dia de judas, o jeito era dar um destino ao boneco antes que sua mãe se zangasse, a solução foi levar o judas para a roça e finca-lo na terra, ao menos serviria para alguma coisa e não teria o fim do fogo como os outros bonecos. Apesar de muito repreendia por sua mãe, Maria Rita recusou-se a queimar o judas e todo dia que iam trabalhar na Casa Grande ela avistava o espantalho novo da plantação.
Assim passaram alguns dias e numa noites dessas de lua cheia, houve um baile no terreiro da Casa Grande, festança das boas, sanfoneiro e todo mundo a dançar. E não é que numa hora dessas chega um belo rapaz de terninho branco, chapéu e todo educado, com um sorriso malicioso e hipnotizante. Moço cheiroso, dançador e muito parecido com Bentinho, levando muitos a crer que era algum parente. Sempre desconversando quanto a parentela, só sabiam que era um “moço da cidade”.
Indo embora a certa hora, ainda cedo, mas num bom horário para donzelas, Maria Rita antes de entrar em sua casinha lá no meio do morro, percebeu que seu belo espantalho não estava mais lá, talvez tivesse caído num pé de vento que dera há algumas horas, ou que os moços o pegaram de volta para suas estrepolias.
Dormindo Maria Rita acordou assustada como a ouvir passos ao redor da casa, um barulho de palha a esfregar pela parede, levantou acendeu o lampião e nada viu, enfim adormeceu e sonhou com o belo rapaz do baile. Outro dia cedo ao olhar para plantação, lá estava ele, o espantalho, arrumadinho, bonito, bem alinhado. Outra noite veio, e o tinhoso a solta, como a tentar as pessoas, Maria Rita deu de chofre com o rapaz na beira da sua casa, quis gritar mas não conseguiu, ficou petrificada pelo susto, e antes que tomasse qualquer atitude foi profundamente beijada pelo rapaz que vira no baile na Casa Grande. Assim sucederam-se esses encontros misteriosos, com o inebriante perfume e o olhar penetrador do rapaz, tão parecido e cheiroso como o grande amor de sua vida, o Bentinho, que agora morava distante dali.
Passaram-se os meses e lá estava o tal espantalho, fincado na terra e que levantava certa curiosidade, pois estava sempre limpo, impecável, conservado, nem o sol e chuva parecia corroer suas roupas ou o enchimento do seu corpo. E foi num desses comentários com as lavadeiras na beira do rio que a velha nhá Sunta, antiga parteira do local, comentou que isso era mau sinal. Que não era coisa que se prestasse fazer um judas e não queimá-lo, ainda mais na Sexta-feira Santa, dia muito grande; pior ainda, usar um judas amaldiçoado como espantalho, que isso poderia provocar o Tinhoso a fazer suas artes por ai. Cruz Credo !! Todos se benzeram após a fala de nhá Sunta.
Assim correram mais umas semanas, e os encontros furtivos com o “moço da cidade” continuaram, mas agora já dava para perceber algo ! A barriga de Maria Rita estava a crescer e precisou contar a sua mãe, que havia perdido sua virgindade, desonrada a família, com um moço que sequer sabia o nome. Mãe e filha tentaram esconder por uns meses; proibindo Maria Rita de sair de casa e muitos perceberam a ausência da bela morena, nos bailes, festas e rezas. Assim correu o ano, novas festas, o carnaval e a quaresma de novo e lá estava o espantalho de Bentinho, limpo, alinhado, cheiroso no meio da plantação. Plantaram o milho, o feijão, a abóbora, que brotaram, cresceram, secaram e o espantalho lá, tão novo como no primeiro dia.
Finda a Quaresma, chegou novamente a semana santa, a barriga de Maria Rita enorme, e o “moço da cidade” perambulando nos bailes do bairro, galanteando as moças, sempre de terno de linho branco, chapéu na cabeça e cheiroso, que aparecia e sumia como por encanto, deixando moças suspirando por aí. Maria Rita as vezes ainda recebia a visita do seu falso Bentinho, de poucas palavras e muitas malícias.
Enfim chegou a sexta-feira santa, e os moços resolveram fazer novos judas, e foi numa dessas que alguém teve a ideia de pegar o espantalho na velha plantação de milho e devolve-lo a condição de judas e finalmente dar cabo no dito cujo. E lá foram dois rapazes na plantação, na sexta-feira santa, e tentaram, tentaram e tentaram e não conseguiram mover o espantalho fincado na terra. Chamaram mais dois fortes rapazes e nada, resolveram cavar ao redor, e depois de muito esforço conseguiram derrubar o boneco que passou a exalar um cheiro fétido de coisa podre e enxofre. Ficaram meio assustados com isso e procuraram os conselhos de nhá Sunta, que fez uma oração forte sobre o boneco e despejou pinga com arruda sobre o mesmo e atou as mãos do boneco com folha de palma benta. Levaram então para a cidade e penduraram no poste em frente a Igreja do Arcanjo Miguel.
Desde esse momento Maria Rita entrou em grande tribulação, começaram as dores do parto que vararam a noite e duas parteiras presentes nada resolviam. Amanheceu o sábado de Aleluia e Maria Rita estava um tanto mais calma com poucas contrações. As dez horas na praça da cidade começaram a leitura dos testamentos dos judas, e a criançada começou a descer o pau nos vários bonecos, em especial no espantalho que de uma hora para outra ficou amarelo e envelhecido com forte cheiro de coisa velha. Maria Rita entrou outra vez nas contrações do parto, rolava de dores, gritava, suplicava e nada da criança nascer. Começaram várias orações no quarto; enquanto isso na cidade pauladas no judas e enfim atearam fogo, o boneco estrebuchou na forca, incendiou, balançou, girou e booom !!! Deu um grande estouro e todos ouviram uma gargalhada. Arrepiados todos se benzeram com o sinal da cruz, mas só restou cinzas do antigo boneco de Bentinho.
Nesta mesma hora Maria Rita deu a luz uma criança branca como um sabugo de milho, os cabelos espetados e avermelhados como de uma espiga, olhos grandes e fogosos, que logo foi entregue a avó, pois Maria Rita estava desfalecida pelo difícil parto. Dias depois refeita e com sua criança nos braços, Maria Rita soube do fim dado ao seu espantalho. Coincidência ou não, o tal “moço da cidade” sumiu das festas, dos bailes e do bairro.
Maria Rita, também sumiu da vida social, ficando somente com seu filho de cabelos vermelhos e branquelo como sabugo, apenas ouvindo nas noites enluaradas o barulho do raspar de palha de milho nas paredes de sua casa.
Assim foi....
Valter Cassalho - Dezembro/2013
domingo, 22 de dezembro de 2013
Feliz 2014.
Olá pessoal 2013 foi um ano muito intenso para a cia Duo Encantado. Desbravamos São Paulo conhecendo os extremos da cidade. Seja na mata, nas vielas ou no asfalto o duo encantado vai estar la levando alegria e encantamento onde quer que seja. E que venha 2014!!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Histórias de Natal
Esta foi a primeira história de Natal que eu contei. Foi um exercício tão profundo que eu fiz, porque é uma história muito intensa e carregada de sentimentos e trata de questões tão importantes vivenciadas por uma menina. Sintam por vocês mesmos! Conto de Hans C. Andersen.
A pequena vendedora de fósforos
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| Foto 1. A pequena vendedora de fósforo, Projeto Encontros (estação Paraíso do metrô) |
Era véspera de Natal. Fazia um frio intenso; já estava escurecendo e caía neve. Mas a despeito de todo o frio, e da neve, e da noite, que caía rapidamente, uma criança, uma menina descalça e de cabeça descoberta, vagava pelas ruas. Ela estava calçada quando saiu de casa, mas os chinelos eram muito grandes, pois eram os que a mãe usara, e escaparam-lhe dos pezinhos gelados quando atravessava correndo uma rua para fugir de dois carros que vinham em disparada.
Não pôde achar um dos chinelos e o outro apanhou-o um rapazinho, que saiu correndo, gritando que aquilo ia servir de berço aos seus filhos quando os tivesse. A menina continuou a andar, agora com os pés nus e gelados. Levava no avental velhinho uma porção de pacotes de fósforos. Tinha na mão uma caixinha: não conseguira vender uma só em todo o dia, e ninguém lhe dera uma esmola — nem um só cruzeiro.
Assim, morta de fome e de frio, ia se arrastando penosamente, vencida pelo cansaço e desânimo — a imagem viva da miséria.
Os flocos de neve caíam, pesados, sobre os lindos cachos louros que lhe emolduravam graciosamente o rosto; mas a menina nem dava por isso. Via, pelas janelas das casas, as luzes que brilhavam lá dentro. Sentia-se na rua um cheiro bom de pato assado — era a véspera de Natal —; isso sim, ela não esquecia.
Achou um canto, formado pela saliência de uma casa, e acocorou-se ali, com os pés encolhidos, para abrigá-los ao calor do corpo; mas cada vez sentia mais frio. Não se animava a voltar para casa, porque não tinha vendido uma única caixinha de fósforos, e não ganhara um vintém. Era certo que levaria algumas lambadas. Além disso, em sua casa fazia tanto frio como na rua, pois só havia o abrigo do telhado, e por ele entrava uivando o vento, apesar dos trapos e das palhas com que lhe tinham tapado as enormes frestas.
Tinha as mãozinhas tão geladas... estavam duras de frio. Quem sabe se acendendo um daqueles fósforos pequeninos sentiria algum calor? Se se animasse a tirar um ao menos da caixinha, e riscá-lo na parede para acendê-lo... Ritch!. Como estalou, e faiscou, antes de pegar fogo!
Deu uma chama quente, bem clara, e parecia mesmo uma vela quando ela o abrigou com a mão. E era uma vela esquisita aquela! Pareceu-lhe logo que estava sentada diante de uma grande estufa, de pés e maçanetas de bronze polido. Ardia nela um fogo magnífico, que espalhava suave calor. E a meninazinha ia estendendo os pés enregelados, para aquecê-los, e... tss! Apagou-se o clarão! Sumiu-se a estufa, tão quentinha, e ali ficou ela, no seu canto gelado, com um fósforo apagado na mão. Só via a parede escura e fria.
Riscou outro. Onde batia a luz, a parede tornava-se transparente como um véu, e ela via tudo lá dentro da sala. Estava posta a mesa. Sobre a toalha alvíssima via-se, fumegando entre toda aquela porcelana tão fina, um belo pato assado, recheado de maçãs e ameixas. Mas o melhor de tudo foi que o pato saltou do prato, e, com a faca ainda cravada nas costas, foi indo pelo assoalho direto à menina, que estava com tanta fome, e...
Mas — o que foi aquilo? No mesmo instante acabou-se o fósforo, e ela tornou a ver somente a parede nua e fria na noite escura. Riscou outro fósforo, e àquela luz resplandecente viu-se sentada debaixo de uma linda árvore de Natal! Oh! Era muito maior e mais ricamente decorada do que aquela que vira, naquele mesmo Natal, ao espiar pela porta de vidro da casa do negociante rico. Entre os galhos, milhares de velinhas. Estampas coloridas, como as que via nas vitrinas das lojas, olhavam para ela. A criança estendeu os braços diante de tantos esplendores, e então, então... apagou-se o fósforo. Todas as luzinhas da árvore de Natal foram subindo, subindo, mais alto, cada vez mais alto, e de repente ela viu que eram estrelas, que cintilavam no céu. Mas uma caiu, lá de cima, deixando uma esteira de poeira luminosa no caminho.
— Morreu alguém — disse a criança.
Porque sua avó, a única pessoa que a amara no mundo, e que já estava morta, lhe dizia sempre que, quando uma estrela desce, é que uma alma subiu para o céu.
Agora ela acendeu outro fósforo; e desta vez foi a avó quem lhe apareceu, a sua boa avó, sorridente e luminosa, no esplendor da luz.
— Vovó! — gritou a pobre menina. Leva-me contigo... Já sei que, quando o fósforo se apagar, tu vais desaparecer, como sumiram a estufa quente, o pato assado e a linda árvore de Natal!
E a coitadinha pôs-se a riscar na parede todos os fósforos da caixa, para que a avó não se desvanecesse. E eles ardiam com tamanho brilho, que parecia dia, e nunca ela vira a vovó tão grandiosa, nem tão bela! E ela tomou a neta nos braços, e voaram ambas, em um halo de luz e de alegria, mais alto, e mais alto, e mais longe... longe da Terra, para um lugar, lá em cima, onde não há mais frio, nem fome, nem sede, nem dor, nem medo, porque elas estavam, agora, no céu com Deus.
A luz fria da madrugada achou a menina sentada no canto, entre as casas, com as faces coradas e um sorriso de felicidade. Morta. Morta de frio, na noite de Natal.
A luz do Natal iluminou o pequenino corpo, ainda sentado no canto, com a mãozinha cheia de fósforos queimados.
— Sem dúvida, ela quis aquecer-se — diziam.
Mas... ninguém soube que lindas visões, que visões maravilhosas lhe povoaram os últimos momentos, nem com que júbilo tinha entrado com a avó nas glórias do Natal no Paraíso.
A história O vagalume, eu ouvi pela primeira vez, não faz nem um mês. Foi no aniversário de um ano de meu pequeno Joaquim. Minha querida amiga e excelente contadora de histórias Tania Antunes, veio de Araçatuba para as comemorações e nos presenteou com esta e outras belíssimas histórias.
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| Foto 2. link http://adeilsonsalles.blogspot.com.br/2009/09/o-vaga-lume-e-o-incompetente.html |
O Vagalume
Os insetos juntamente com outros animais foram até uma gruta em Belém visitar o menino Jesus. O insetos param na entrada e Jesus vendo-os faz um sinal com a mãozinha e os chama. Os insetos vão voando pra lá, cada um levando o seu presente.
A lagarta levou um fio da mais linda e fina seda a borboleta levou a beleza das cores a abelha levou o doce mel a formiga levou um grão de trigo a mosca prometeu velar o sono de Jesus mas sem zumbidos desagradáveis e a vespa prometeu não ferruar ninguém somente um inseto não entrou, porque ele não tinha nada a dar a Jesus, mas ele tinha uma enorme vontade de dizer a Jesus o quanto o amava e já estava de cabeça baixa e triste indo embora quando Jesus falou: Hei você pequeno inseto venha até aqui.
O inseto rapidamente voou e foi parar na mão de Jesus e a emoção era tanta que uma lágrima grossa e brilhante rolou até a outra mão de Jesus e nesse momento um raio de luar iluminou toda gruta, transformando essa lágrima numa gota de luz. Então Jesus pega essa gota coloca no inseto e diz: De hoje em diante você vai brilhar pra sempre e o seu nome será VAGALUME.
Vagalume tem tem, seu pai tá aqui sua mãe também. (4 x)
E a terceira história, também ouvi da boca da Tania Antunes, quando nos conhecemos em 2008 no Encontro Nacional de Contadores de Histórias de Santa Bárbara D' Oeste. Bom, agora não é segredo nenhum que essa minha amiga me inspira muito, né? Este conto é da tradição oral e já vi várias versões. A versão abaixo é da Bia Bedran (maravilhosa contadora de histórias).
O rei, o pescador e o anel
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| Foto 3. O rei, o pescador e o anel Sarau na UMAPAZ, dez/2010 |
Era uma vez um velho pescador que vivia cantando:
Canto: Viva Deus e ninguém mais / Quando Deus não quer / ninguém nada faz.
Mesmo quando sua pesca não era boa, ele cantava com muita fé e alegria a sua cantiga.
Canto: Viva Deus e ninguém mais / Quando Deus não quer / ninguém nada faz.
Um dia, o rei daquele lugar soube da existência do pescador e quis que ele fosse à sua presença, por não admitir que Deus podia mais que tudo no mundo... Esse rei era tão poderoso e orgulhoso, que achava que podia até mais que o próprio Deus!
E lá foi o pescador, subindo as escadas de tapete vermelho do palácio, cantando: Viva Deus...
Diante do rei, o pescador não mostrou medo algum, e ainda reafirmou sua fé, cantando a mesma cantiga.
Então o rei disse:
Rei: Vamos verse Deus pode mais que eu, pescador!
Eis aqui o meu anel. Vou entregá-lo aos seus cuidados!
Se dentro de 15 dias você me devolver o anel, intacto, você ganhará um enorme tesouro, e não precisará mais trabalhar para viver.
Porém, se no 15° dia você não voltar com o anel, mando cortar a sua cabeça! Agora vá embora...
O pescador foi embora e na volta pra casa, cantava: Viva Deus...
Quando chegou em casa entregou o anel para a mulher que prometeu guardá-lo a sete chaves. Deixe estar que isso não passava de um plano do rei, que logo mandou um criado disfarçado de mercador, bater na casa do pescador, quando esteja havia saído para pescar.
Criado disfarçado: Ó de casa!
A velha senhora abriu a porta.
Criado: Minha senhora, sou mercador. Vendo e compro anéis. A senhora não teria aí pelas gavetas um anelzlnho para me vender? Pago bem!
E mostrou muito dinheiro.
Velha: Não tenho não senhor. Aqui é casa de pobre. Não tem anel nenhum não.
Mas a velha ficou surpresa com tanto que o homem mostrava.
Acabou caindo na tentação, e vendeu o anel!
No fim do dia, o pescador voltou pra casa cantando: Viva Deus...
...Quando chegou em casa, soube do que havia acontecido e ficou desesperado.
Pescador: Mulher! Você não vendeu o anel não; você vendeu minha cabeça!
E foram correndo procurar o mercador pela floresta, pela estrada, pela praia, pela aldeia e nada...
Claro! À essa altura, o criado disfarçado de mercador já estava longe, e havia jogado o anel em alto mar, a mando do rei, para que nunca mais ninguém pudesse encontrá-lo.
E: o tempo foi passando...
Décimo dia...
O pescador, triste continuava cantando: (mais lento) Viva Deus...
Décimo primeiro dia...
E o pescador cantando e pescando...
Canto: (ainda mais lento) Viva Deus...
Até que no penúltimo dia, o pescador chamou a mulher e disse:
Pescador: Mulher, eu vou morrer... Amanhã, minha cabeça vai rolar. Vamos nos despedir, com uma última refeição. Farei uma boa pescaria. E lá foi o pescador, tristemente, cantando sem parar sua cantiga.
Canto: Viva Deus... (muito triste)
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| Foto 4. O rei, o pescador e o anel, Projeto Encontros do metrô |
Pescou 50 peixes, 49 ele vendeu no mercado, e 1 levou para mulher preparar.
Ela caprichou no tempero e fez no fogão de lenha, aquele peixe que seria sua última ceia junto com o marido depois de tantos anos. Mastiga daqui, chora dali, pensa de lá, e de repente...
Pescador: (Se engasgando) O que é isso? Mulher (cospe o anel).
Eu não disse que Deus pode mais que todo o mundo?
Canto(bem animado): Viva Deus...
O pescador limpou o anel, e correu em direção ao palácio. Subiu a escadas de tapete vermelho cantando, fez uma reverência para rei, que perguntou todo poderoso:
Rei: E então, pescador? Aonde está o meu anel?
E o pescador, vitorioso:
Pescador: Está aqui, meu rei!
O rei ficou boquiaberto! Não conseguia acreditar...Teve de entregar o tesouro para o pescador. E até o rei teve que cantar:
Canto: Viva Deus e ninguém mais / Quando Deus não quer / Ninguém nada faz.
O pinheirinho de Natal
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| Foto 5. link http://www.joseroberval.com.br/2010/10/o-simbilismo-mistico-da-arvore-de-natal.html |
Conta a história que na noite de Natal, junto ao presépio, se encontravam três árvores: Uma tamareira, uma oliveira e um pinheiro. As três árvores ao verem Jesus nascer, quiseram oferecer-lhe um presente. A oliveira foi a primeira a oferecer, dando ao menino Jesus as suas azeitonas. A tamareira, logo a seguir, ofereceu-lhe as suas doces tâmaras. Mas o pinheiro como não tinha nada para oferecer, ficou muito infeliz.As estrelas do céu, vendo a tristeza do pinheiro, que nada tinha para dar ao menino Jesus, decidiram descer e pousar sobre os seus galhos, iluminando e adornando o pinheiro que assim se ofereceu ao menino Jesus.
Lindas histórias, não é mesmo?
Desejo que estas histórias inspirem vocês a construir seus sonhos com persistência e alegria.
O ano novo traz uma promessa!
Abraços com carinho,
Rosita Flores
Lindas histórias, não é mesmo?
Desejo que estas histórias inspirem vocês a construir seus sonhos com persistência e alegria.
O ano novo traz uma promessa!
Abraços com carinho,
Rosita Flores
sábado, 14 de dezembro de 2013
Sexta-feira 13
Sexta-feira 13! Sempre gostei das 6fs que coincidem com o dia 13. Foi numa 6f, dia 13 e lua cheia que eu nasci. Isso há alguns bons anos atrás. E, nesta última sexta-feira 13 do ano de 2013 fechei o meu ciclo de trabalho nos CEUs e no SENAC com a certeza de ter feito um bom trabalho.
Que venha 2014! Amém
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
O GRANDE MERGULHO - ESPETÁCULO TEATRAL
Boa tarde, amigos da Cia Duo Encantado!
Venho fazer-lhes um convite para assistirem a peça baseada no livro O pato, a morte e a tulipa. Texto delicado e belíssimo que trata de tema tão profundo e necessário.
Vejam que beleza de cenário!
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| Foto do Espetáculo: O pato, a morte e a tulipa |
Espetáculo teatral baseado no livro "O Pato, a Morte e a Tulipa" de Wolf Erlbruch. Para crianças de todas as idades.
SINOPSE: Um pato encontra a Morte e, depois do susto, torna-se amigo dela. Juntos, a ave e a simpática personagem aprendem sobre as coisas boas da vida, como a amizade e as brincadeiras.
Direção: Gabriela Winter Com: Alexandre Acquiste e Aldemir Lima
Duração: 50 minutos
Duração: 50 minutos
Curta temporada!
De 07 a 22 de dezembro - Sábados e Domingos às 16hs -no Teatro do Centro da Terra Rua Piracuama 19 - Perdizes - SP/SP Tel. 3675-1595
Um grande abraço e desejo de sucesso para o amigo Alexandre Acquiste e elenco.
Rosita Flores
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